A influência da MGF no prazer sexual

A influência da MGF no prazer sexual

Efeitos na mulher

                    Mito: “Com a circuncisão o prazer sexual da mulher é inibido, tornando-a menos propensa à infidelidade e à promiscuidade.”

  • Estudos

 

 

 

 

  • Interpretação dos dados

O modo como a MGF afeta a experiência do prazer e desejo sexual de uma mulher circuncidada depende do tipo de mutilação que esta sofreu.

Para diferentes tipos de mutilação, os órgãos envolvidos no prazer sexual da mulher são também manipulados de formas diferentes. Essa manipulação poderá determinar se a mulher é capaz de sentir prazer sexual ou não.

 

  • Explicação para a inibição do prazer

    • Como já foi referido anteriormente, um fator condicionante do prazer sexual é a concretização da fase de excitação que se dá graças a estímulos. A MGF, especialmente a infibulação, destrói grande parte das terminações nervosas vulvares, podendo ser degradada a qualidade da estimulação recebida pelo sistema nervoso central. Isto poderá atrasar a excitação ou prejudicar o orgasmo.
    • Lesões, lacerações, perda de elasticidade da pele, ou o desenvolvimento de um neuroma (um tumor ou massa crescente de um nervo) podem levar a relações sexuais dolorosas
    •  Medo/mazelas psicológicas poderão impedir a preparação para fase de excitação, o  que provoca dor

 

  • Processo hormonal

Na figura seguinte está esquematizada a relação entre a estimulação da dor e a secreção das endorfinas.

 

    Para além das endorfinas, já vimos que as oxitocinas também desempenham um papel importante na obtenção de satisfação sexual. De que forma a MGF compromente a sua produção?

    Muitas das consequências (físicas e psicológicas) que advêm da prática da circuncisão, facilmente complicam a preparação da mulher para o ato sexual, tornando a fase de excitação difícil de se concretizar. Como a produção e secreção das oxitocinas ocorre exatamente durante essa fase, o prazer sexual acaba por ser inibido.

 

  • Explicação para o facto de muitas mulheres sentirem desejo sexual

    • Parte residual de tecido sensível do clítoris, e lábios permanece intacto
    • Outras zonas erógenas do corpo podem ficar ainda mais sensíveis numa mulher mutilada
    • Apesar da excisão do clítoris e lábios, existem outras zonas erógenas/pontos sensíveis fundamentais para o orgasmo que não foram cortadas
    • O envolvimento do casal é visto pela mulher como satisfatório

 

Efeitos no homem

 

Mito: “Uma mulher circuncidada é sexualmente mais agradável ao marido, Quanto mais apertada ela é costurada, mais prazer ele tem.”

 

    Supõe-se que numa relação sexual com uma mulher infibulada, em que o canal vaginal é menor, o homem terá mais prazer do que com uma mulher que não sofreu infibulação. Será verdade?

  • Estudos 

  1.     Um estudo no Sudão apontou uma taxa de divórcios duas vezes maior entre mulheres infibuladas. O marido pede a separação movido por problemas tanto no relacionamento sexual (dificuldades na penetração) quanto na capacidade de a mulher procriar.

                                          

         2.     Foi realizado um outro estudo no Sudão, (Shandall, 1967), com entrevistas a 362 homens polígamos, dos quais só uma das suas mulheres tinha sofrido mutilação genital do Tipo  III, enquanto que as outras, ou não  tinham sofrido mutilação, ou apenas tinham sofrido mutilação genital do Tipo I. Os resultados das entrevistas foram os seguintes:

 

 

 

  • Interpretação dos dados

A mutilação genital feminina, especialmente a infibulação, afeta a qualidade da satisfação adquirida pelo homem durante a relação sexual.

 

  • Como é inibido?

    • Homem sente diversas dificuldades durante a relação sexual como:
      • Quadros de  impotência
      • Infeções
      • Úlceras  no  pénis  provocadas  pelas  sucessivas  tentativas  de  penetração.
      • Problemas psicológicos
    • Para além disto, o facto de os homens não conseguirem relações sexuais satisfatórias, principalmente com as esposas infibuladas, deve-se ao rasgar progressivo das cicatrizes da zona genital, de cada vez que as mulheres têm uma criança.

    Todos estes fatores contribuem para a inibição do prazer sexual do Homem, sendo esta potencializada quanto mais elevado for o tipo de MGF aplicado às suas mulheres.

 

“Numa sociedade onde existe uma norma que obriga a mulher a ser infibulada, é quase obrigatório que os homens desta sociedade sintam também prazer e satisfação com o facto das mulheres possuírem uma entrada vaginal pequena e apertada”

Van der Knaak, 1992